Rotativo do cartão chega a 451% ao ano e exige reorganização financeira
Especialista orienta troca do crédito mais caro do mercado por linhas mais baratas para evitar efeito “bola de neve” nas dívidas
O cenário reforça a necessidade de reorganização financeira. Foto IA/ ChatGPT
Janeiro costuma evidenciar o impacto das despesas acumuladas no fim do ano no orçamento familiar. Muitos consumidores iniciam o mês já comprometidos com o rotativo do cartão de crédito, considerada a modalidade mais cara do mercado, com juros do cartão que chegam a 451,5% ao ano, segundo dados do Banco Central. O cenário reforça a necessidade de reorganização financeira, educação financeira e busca por crédito mais barato para evitar o agravamento do endividamento.
“O rotativo foi criado para ser uma solução emergencial, não um tipo de financiamento. Mas, quando o consumidor paga apenas o mínimo da fatura, ele entra em uma espiral de juros sobre juros que rapidamente foge do controle”, explica Andrew Oliveira, especialista em crédito imobiliário da Friggi & Secco. Segundo ele, bastam poucos ciclos para que a dívida dobre de tamanho e se torne um “dreno financeiro”.
Sinais de alerta no uso do cartão e no controle das dívidas
Entre os principais sinais de descontrole financeiro estão o pagamento recorrente apenas do valor mínimo da fatura, a percepção de que as dívidas continuam crescendo mesmo após corte de gastos, a contratação de novos créditos para cobrir o cartão e o limite comprometido por períodos prolongados. “Quando esses sinais aparecem, buscar uma linha mais barata deixa de ser recomendação — passa a ser necessidade”, reforça Oliveira.
Como trocar o rotativo por empréstimo mais barato
A migração do rotativo do cartão para um empréstimo pessoal, crédito digital ou crédito com garantia começa pelo levantamento do valor total da dívida, incluindo juros e encargos. Em seguida, o consumidor deve comparar taxas de juros e, principalmente, o Custo Efetivo Total (CET), indicador que mostra o custo real da operação.
Após a escolha da opção mais vantajosa, o ideal é quitar integralmente a fatura do cartão e reorganizar o planejamento financeiro, garantindo que a nova parcela caiba no orçamento mensal e evitando o retorno ao rotativo.
Diferença de juros entre cartão, fintechs e home equity
A diferença entre as taxas é expressiva. Enquanto o juros do cartão de crédito pode alcançar 451,5% ao ano, fintechs oferecem alternativas entre 18% e 27% ao ano. Já operações com garantia, como o Home Equity, podem partir de 1% a 2% ao mês.
“A tecnologia permite análises mais precisas, custos mais baixos e ofertas muito mais compatíveis com o perfil do cliente”, afirma o especialista.
Para consumidores que possuem imóvel e buscam reorganizar a vida financeira, o crédito com garantia imobiliária surge como uma das opções mais eficientes. “O Home Equity permite trocar uma dívida inviável por uma operação sustentável, com parcelas menores e previsíveis. No início do ano, isso traz alívio imediato e devolve capacidade de planejamento”, explica Andrew Oliveira.
Planejamento financeiro e organização do orçamento em janeiro
O especialista recomenda que janeiro seja encarado como um período de reorganização financeira, com foco em controle do orçamento, redução de juros e equilíbrio das finanças pessoais. Entre as orientações estão: Mapear todas as dívidas e despesas fixas; Priorizar o pagamento das linhas com juros mais altos; Evitar o pagamento mínimo da fatura do cartão; Buscar crédito mais barato ao menor sinal de descontrole; Simular prazos, parcelas e CET antes de contratar qualquer empréstimo; Manter uma reserva de emergência para reduzir dependência do cartão. O acompanhamento mensal do orçamento e a análise do impacto de cada decisão contribuem para uma gestão financeira mais eficiente ao longo do ano.









