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Por que o Copom manteve a Selic em 15% e o que muda para os próximos meses

Analistas avaliam que flexibilização pode começar na próxima reunião, prevista para março.

Atualizado em 29/01/2026 às 11:01, por Redação Credinews.

Prédio sede do Banco Central do Brasil, abaixo de um céu com nuvens carregadas.

Sede do Banco Central - Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, na reunião realizada na terça-feira (28). A decisão já era amplamente esperada pelo mercado, mas o comunicado trouxe um tom considerado mais brando por analistas, ao sinalizar maior confiança no processo de desinflação e a possibilidade de início do ciclo de flexibilização monetária na próxima reunião, prevista para março.

A leitura foi rapidamente incorporada pelos mercados. Os juros futuros recuaram, a curva de DI passou a precificar majoritariamente um corte de 0,5 ponto percentual, e o Ibovespa renovou recorde de fechamento, encerrando o pregão próximo dos 184 mil pontos, impulsionado também pelo forte fluxo de capital estrangeiro.

Tom mais dovish e expectativa de corte

Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o comunicado mostrou uma mudança relevante na sinalização do Banco Central. Segundo ele, “o Copom manteve a Selic em 15% ao ano, conforme amplamente esperado, em decisão unânime, mas com um tom claramente mais dovish no comunicado”.

Shahini avalia que, ao demonstrar maior confiança no processo desinflacionário, ainda que com cautela diante das expectativas de inflação, o Comitê indica que o ciclo de cortes está próximo. Ele acrescenta que “a mensagem do Comitê foi a de que o ciclo de flexibilização está se aproximando”.

Equilíbrio entre risco e credibilidade

Raphael Vieira, co-head de Investimentos da Arton Advisors, também interpreta o comunicado como uma inflexão importante na comunicação da autoridade monetária. Para ele, “a manutenção da Selic em 15% era amplamente esperada, mas o comunicado traz uma inflexão relevante: o Copom passa a sinalizar, de forma explícita, a possibilidade de início do ciclo de flexibilização já na próxima reunião, ainda que sob forte condicionalidade”.

Vieira destaca que o Banco Central reconhece sinais de desaceleração da atividade e de arrefecimento gradual da inflação, mas ainda demonstra preocupação com a desancoragem das expectativas e com a inflação de serviços, especialmente diante de um mercado de trabalho aquecido e de riscos externos e fiscais. Na avaliação do economista, “o tom do comunicado indica que esse início de processo é mais uma decisão de gestão de risco do que uma convicção plena de que a inflação já está controlada”.

Inflação ainda exige cautela

A economista Bruna Centeno, sócia e advisor da Blue3 Investimentos, observa que o Copom reforçou a percepção de que os riscos inflacionários permanecem elevados, sobretudo em razão da persistência da inflação de serviços e do ambiente externo ainda restritivo.

Segundo ela, o Comitê reconhece a possibilidade de iniciar a flexibilização caso o cenário de convergência da inflação para a meta se confirme, mas mantém atenção especial ao contexto geopolítico e à trajetória das expectativas inflacionárias.

Espaço condicionado para flexibilização

Para Felipe Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, a decisão manteve o balanço de riscos praticamente inalterado, mas abriu espaço para um movimento já na próxima reunião. Ele ressalta que “o comunicado abriu espaço para corte de juros em março ao salientar que ‘em se confirmado o cenário esperado’ o BC antevê espaço para iniciar a flexibilização monetária na próxima reunião”.

Oliveira destaca, no entanto, que o Banco Central reforçou que a política monetária deverá permanecer em patamar restritivo por um período suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta.

Impacto na curva de juros

A analista de Macroeconomia da InvestSmart XP, Sara Paixão, avalia que o comunicado foi interpretado como mais brando pelo mercado. Para ela, “o comunicado de hoje pode ser considerado mais brando pelos analistas e deve ter impacto baixista na curva de juros”.

Sara também observa que o Copom manteve o diagnóstico de incerteza no cenário global, especialmente em relação aos efeitos geopolíticos sobre a inflação, e reconheceu a moderação da atividade econômica no Brasil, ainda que a inflação permaneça acima da meta. A analista pondera que, mesmo com um eventual corte inicial, a taxa de juros continuará em nível restritivo, contribuindo para a desaceleração da atividade e para o processo de desinflação.