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Investir nos Estados Unidos: cinco pontos essenciais que brasileiros precisam avaliar antes de aplicar recursos

Especialista alerta para planejamento tributário, estrutura jurídica e riscos sucessórios que podem impactar o retorno e a segurança do patrimônio no exterior.

Atualizado em 21/12/2025 às 10:12, por Redação Credinews e Assessoria.

Imagem mostra notas de dólar americano dispostas sobre a bandeira dos Estados Unidos. Em destaque, cédulas de diferentes valores aparecem organizadas em leque, com a bandeira ao fundo exibindo as cores vermelha, branca e azul. A composição remete a investimentos internacionais, mercado financeiro, economia dos EUA e aplicação de recursos em dólar.

Os EUA receberam mais de US$ 480 bilhões em investimento estrangeiro direto em 2024. Crédito: Divulgação

Ano após ano, cresce o interesse de brasileiros por investimentos internacionais, especialmente nos Estados Unidos, mercado que permanece como o principal destino de capital estrangeiro no mundo. Dados do Bureau of Economic Analysis (BEA) mostram que os EUA receberam mais de US$ 480 bilhões em investimento estrangeiro direto em 2024, reforçando a posição do país como polo de atração e diversificação de investimentos, sobretudo em períodos de incerteza econômica global.

Esse movimento ocorre em paralelo ao aumento do rigor fiscal. Segundo Adriano Murta, advogado tributarista e especialista em investimentos internacionais, o investidor brasileiro deve observar cinco pilares fundamentais antes de aplicar recursos nos Estados Unidos. De acordo com o especialista, as decisões tomadas antes do primeiro aporte definem o nível de risco, o custo tributário e a segurança sucessória do patrimônio, tornando o planejamento prévio uma etapa determinante para a eficiência do investimento.

Defina com clareza o objetivo do investimento

O primeiro ponto é a definição clara do objetivo do investimento. Murta explica que essa etapa orienta toda a estratégia, seja ela voltada à renda recorrente, proteção patrimonial, sucessão internacional, diversificação ou formação de portfólio de longo prazo.

“Sem uma visão inicial clara, o investidor tende a escolher estruturas incompatíveis com sua meta ou a pagar mais imposto do que deveria. Objetivo mal definido gera estrutura mal escolhida, e esse é um erro que costuma sair caro”, alerta.

Escolha a estrutura jurídica adequada

Outro aspecto essencial é a escolha da estrutura jurídica, que pode envolver investimento direto como pessoa física ou por meio de formatos como Limited Liability Company (LLC), corporation ou trust. Cada alternativa impacta diretamente a tributação, o risco sucessório e a exposição ao estate tax americano.

Murta observa que muitos brasileiros investem como pessoa física sem saber que essa opção pode submetê-los ao imposto sucessório dos Estados Unidos, cujo limite de isenção para estrangeiros é bastante reduzido.

Entenda as retenções automáticas do IRS

Também é indispensável compreender as retenções automáticas do Internal Revenue Service (IRS), que variam conforme o tipo de rendimento e a estrutura adotada. A falta desse conhecimento pode resultar em retenções de até 30%, mesmo em operações que poderiam ter carga tributária menor com a documentação correta.

“Formulários como o W-8BEN e o enquadramento adequado fazem diferença direta no retorno líquido. Muita gente perde dinheiro por não enviar o documento correto ou por não entender como o IRS classifica cada operação. Quando o investidor estrutura corretamente, paga menos imposto, evita surpresas e consegue planejar melhor o fluxo de caixa”, explica.

Alinhe o investimento à legislação brasileira

Outro ponto decisivo é o alinhamento das operações às regras tributárias brasileiras. Todo investimento realizado nos Estados Unidos precisa estar coerente com a legislação do Brasil, especialmente nas declarações de bens, rendimentos, variação cambial e ganhos de capital.

“Divergências entre as informações prestadas ao IRS e à Receita Federal costumam gerar questionamentos e autuações. Não existe planejamento internacional eficiente se Brasil e Estados Unidos não ‘conversam’ na documentação”, destaca Murta.

Mantenha controle documental rigoroso

Por fim, o investidor deve manter um controle documental rigoroso, acompanhando formulários como 1042-S, 1099 e relatórios fornecidos por corretoras americanas. Esses documentos comprovam rendimentos, retenções e operações, sendo essenciais para evitar dupla tributação e inconsistências nas declarações fiscais.

A ausência dessa documentação pode resultar em retrabalho, perda de créditos tributários e dificuldade de comprovar valores perante o fisco.

Murta reforça que um dos erros mais comuns entre brasileiros é investir diretamente como pessoa física sem compreender os impactos do estate tax americano.

“Para estrangeiros não residentes, o limite de isenção é muito baixo. Sem uma estrutura adequada, o patrimônio fica vulnerável. O uso correto de uma LLC, corporation ou trust pode reduzir significativamente esse risco”, conclui.