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Golpe do Pix agendado se espalha: entenda o passo a passo usado pelos criminosos

Pix facilita transações, mas amplia riscos de golpes digitais

Atualizado em 01/12/2025 às 11:12, por Redação Credinews.

Um homem veste um moletom com capuz e mantém o rosto oculto enquanto segura um celular com a frase “Faz um Pix” na tela. Ele está em um ambiente de escritório com várias baias e computadores ao fundo, sugerindo a prática de golpes ou ações fraudulentas no ambiente digital.

Entenda mais sobre golpes e se previna. Crédito: Imagem gerada com IA.

Os meios de pagamento digitais, especialmente o Pix — disponibilizado ao público em 16 de novembro de 2020 —, revolucionaram a economia brasileira. A ferramenta trouxe agilidade, praticidade e segurança para milhões de usuários. Contudo, o avanço também impulsionou o aumento de golpes com Pix e outras fraudes digitais, facilitando a ação de criminosos. Os golpes envolvendo Pix aumentaram 70% em 2024, segundo o Banco Central, somando R$ 4,9 bilhões em perdas.

Se levar em conta um aspecto mais amplo, uma análise sobre golpes e fraudes financeiras no Brasil, baseada em dados de 2023 e feita pelo Banco Central do Brasil (BC) e pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), revelou que 26% dos brasileiros foram vítimas de golpes ou fraudes nos dois anos anteriores à pesquisa (aqui também entram perdas com cartão de crédito, por exemplo). Homens, pessoas com renda acima de cinco salários-mínimos, residentes das regiões Sudeste e Centro-Oeste e de áreas urbanas são mais propensos a serem vítimas. Conforme o levantamento, o acesso ao sistema financeiro e à internet aumenta a probabilidade de ser alvo de golpes.

Antes, golpes de estelionato eram aplicados por meio de cheques, DOCs, TEDs e muitas vezes a vítima precisava se dirigir à boca do caixa para realizar saques bancários e entregar valores aos estelionatários. Com a transferência instantânea, os criminosos migraram para o ambiente digital, aproveitando-se da rapidez do Pix, que dificulta o bloqueio e a recuperação dos valores. Algumas melhorias, porém, estão sendo implantadas pelo Banco Central.

Como funciona o golpe do Pix por agendamento, segundo a Polícia Civil

A Polícia Civil do Paraná detalha um tipo de golpe do Pix que utiliza o agendamento da transferência para enganar vendedores. O crime ocorre da seguinte forma:

Etapas do golpe do Pix agendado

  1. Ação inicial: os golpistas compram produtos ou contratam serviços.
  2. Agendamento do Pix: em vez do pagamento imediato, programam uma transferência futura.
  3. Comprovante adulterado: os criminosos editam o comprovante e ocultam a informação de que se trata de um Pix agendado.
  4. Envio do comprovante falso: o vendedor recebe o documento como se o pagamento tivesse sido concluído.
  5. Entrega da mercadoria: a vítima entrega o item acreditando que o valor caiu.
  6. Cancelamento: o golpista cancela o Pix programado e fica com o produto, gerando o prejuízo.

Esse tipo de fraude tem se espalhado justamente pela facilidade de manipulação de comprovantes e pela confiança que muitos usuários depositam no sistema.

Outros golpes comuns com Pix usados por criminosos

Golpe do Instagram

No golpe aplicado por meio do Instagram, o criminoso invade um perfil e anuncia produtos com preços abaixo do mercado. Quando seguidores realizam o pagamento via Pix, são bloqueados e não recebem a mercadoria.

Golpe em sites de venda

Essa modalidade pode atingir tanto compradores quanto vendedores:

  • Comprador como vítima: paga via Pix e não recebe o produto anunciado.
  • Vendedor como vítima: recebe um comprovante falso, envia a mercadoria e não recebe o pagamento.

Essas ocorrências são comuns em plataformas de anúncio e representam grande parte dos golpes digitais envolvendo Pix.

Orientações do Banco Central para vítimas de golpes com Pix

O Banco Central orienta que vítimas de qualquer fraude envolvendo Pix entrem imediatamente em contato com o banco para relatar o caso e solicitar a devolução. Também é recomendável registrar boletim de ocorrência.

Procedimento padrão do MED

  • registro da notificação de infração;
  • abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED) pelo banco da vítima;
  • bloqueio dos valores pelo banco do suposto golpista;
  • análise conjunta das instituições em até sete dias corridos;
  • devolução dos recursos em até 96 horas, se comprovada a fraude.

Caso o problema não seja resolvido, a vítima pode procurar:

  • Procon de seu estado;
  • Poder Judiciário;
  • ou registrar reclamação no Banco Central, que monitora a conta suspeita.

O MED não se aplica a desacordos comerciais, como envios errados por vendedores de boa-fé.

Atenção ao golpe do “Pix por engano”

Outro crime recorrente é o chamado golpe do Pix por engano. Nele, alguém afirma ter enviado dinheiro para a sua conta e pede devolução imediata.

Como evitar o golpe

  • verifique o extrato;
  • se houver depósito real, devolva o valor apenas pela função oficial de devolução do Pix;
  • nunca envie dinheiro para outra conta indicada pelo suposto pagador.

Criminosos tentam usar o MED para receber valores em duplicidade.

O Banco Central reforça ainda recomendações de segurança digital:

  • não cadastrar chaves Pix em links desconhecidos;
  • não permitir acesso remoto a dispositivos;
  • conferir destinatário e valor antes de confirmar a transferência;
  • comunicar o banco imediatamente em caso de golpe.

O novo “botão de contestação” do Pix

Para reforçar a segurança, o Banco Central lançou o “botão de contestação”, oficialmente chamado de autoatendimento do MED. A ferramenta, disponível nos aplicativos das instituições financeiras, permite que o usuário conteste um pagamento suspeito nos casos de fraude, golpe ou coerção.

O botão não se aplica a erros de digitação, arrependimento ou desacordos comerciais. A funcionalidade integra as ações do Banco Central para aprimorar o MED do Pix e ampliar a proteção dos usuários.