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Copom mantém Selic em 15% ao ano, avalia cenário econômico e sinaliza possível corte de juros

Banco Central aponta incertezas externas, inflação ainda acima da meta e resiliência da atividade como fatores que justificam cautela na política monetária.

Atualizado em 28/01/2026 às 22:01, por Redação Credinews.

Letreiro metálico do Banco Central do Brasil em uma parede de pedra cinza com o logotipo da instituição acima do nome.

O colegiado também sinalizou que, caso o cenário esperado se confirme, poderá iniciar a flexibilização monetária já na próxima reunião. © Marcello Casal JrAgência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros (Selic) em 15,00% ao ano, avaliando que o atual patamar é compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta ao longo do horizonte relevante da política monetária. A decisão ocorre em um cenário externo ainda marcado por incertezas globais, pela política econômica dos Estados Unidos e por tensões geopolíticas, que impactam as condições financeiras internacionais.

No comunicado divulgado após a reunião, o colegiado também sinalizou que, caso o cenário esperado se confirme, poderá iniciar a flexibilização monetária já na próxima reunião, mantendo postura de cautela na condução dos juros.

Cenário externo pressiona países emergentes e afeta mercado financeiro

De acordo com o Copom, o ambiente internacional segue exigindo prudência por parte dos países emergentes, diante da volatilidade provocada pela política econômica norte-americana e pelo ambiente geopolítico. Esse contexto influencia o câmbio, o fluxo de capitais e o comportamento dos ativos financeiros, ampliando os riscos para a estabilidade macroeconômica.

Atividade econômica desacelera, mas mercado de trabalho permanece resiliente

No cenário doméstico, os indicadores confirmam uma trajetória de moderação do crescimento da atividade econômica, conforme previsto pelo Banco Central. Apesar disso, o mercado de trabalho continua apresentando sinais de resiliência, com pressões persistentes. As divulgações mais recentes mostram que a inflação e as medidas subjacentes de preços seguem em processo de desaceleração, mas permanecem acima da meta inflacionária.

Expectativas de inflação seguem desancoradas, aponta Focus

As expectativas de inflação, medidas pela pesquisa Focus, continuam acima da meta. Para 2026, a projeção do mercado é de 4,0%, enquanto para 2027 a estimativa é de 3,8%. Já a projeção do próprio Copom para a inflação no terceiro trimestre de 2027, considerado o horizonte relevante da política monetária, é de 3,2% no cenário de referência.

Riscos inflacionários seguem elevados, avalia Banco Central

O Comitê avalia que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem acima do padrão histórico.

Entre os principais riscos de alta, estão:

Desancoragem das expectativas de inflação por período prolongado; 
Inflação de serviços mais resistente, influenciada por um hiato do produto positivo; 
Impactos inflacionários das políticas econômica externa e interna, incluindo possibilidade de câmbio mais depreciado.

Entre os riscos de baixa, o Copom aponta:

Desaceleração mais intensa da economia brasileira
Desaceleração global decorrente de choques no comércio e aumento da incerteza; 
Queda nos preços das commodities, com efeito desinflacionário.

Política fiscal e contexto geopolítico seguem no radar da autoridade monetária

O Banco Central informou que acompanha de forma contínua os impactos do contexto geopolítico na inflação brasileira e os efeitos da política fiscal sobre a política monetária, o mercado financeiro e os preços dos ativos. O cenário segue marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência da atividade econômica e pressões no mercado de trabalho.

Copom avalia início de flexibilização da política monetária

Apesar da manutenção da Selic em 15%, o Comitê considera que a estratégia atual tem sido adequada para assegurar a convergência da inflação. Em um ambiente de inflação menor e maior evidência da transmissão da política monetária, o Banco Central avalia a necessidade de calibrar o nível de juros.

O Copom antevê que, se o cenário esperado se confirmar, poderá iniciar a redução gradual da taxa de juros, mantendo restrição suficiente para garantir o cumprimento da meta inflacionária. O ritmo e a magnitude do ciclo dependerão da evolução dos indicadores econômicos.